O Toque nas Águas Termais de Lisboa

O vapor subia devagar das piscinas termais, misturando-se com o aroma de eucalipto que pairava no ar. Eu estava deitada de bruços na maca de mármore quente, sentindo as mãos firmes de Clara deslizarem pelas minhas costas. Tínhamos acabado de chegar de uma caminhada pelo Parque Monsanto e o cansaço do dia pesava nos músculos. Aos vinte e oito anos, eu procurava apenas relaxar antes de regressar ao hotel no centro de Lisboa.

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Clara, trinta e um anos, era a minha companheira de viagem há vários verões. Trabalhávamos juntas numa agência de turismo em São Paulo e, sempre que podíamos, escapávamos para destinos europeus. Desta vez, Lisboa fora a escolha perfeita para uma semana de descanso. Ela riu baixinho enquanto pressionava os polegares junto à minha coluna.

— Relaxa, Mariana. Parece que carregas o mundo inteiro nos ombros.

Eu sorri contra a toalha macia, mas o meu corpo traía-me. A pressão dos dedos dela despertava algo mais profundo, uma corrente que descia pela espinha e se espalhava pelas pernas. O ambiente das termas era discreto: poucas pessoas àquela hora da tarde, o som distante de água correndo e o brilho suave das luzes embutidas nas paredes de azulejos antigos.

Decidimos alugar uma sala privada com banheira de hidromassagem depois da massagem. O funcionário, um homem educado de cerca de quarenta anos, explicou-nos o funcionamento dos jatos e deixou-nos sozinhas. Assim que a porta se fechou, tirei o roupão e entrei na água quente. Clara fez o mesmo, revelando o corpo esguio e bronzeado que tantas vezes admirara nas praias brasileiras.

Sentámo-nos uma de frente para a outra, as pernas quase se tocando no espaço estreito. Os jatos pulsavam contra as costas e as coxas, criando pequenas correntes que pareciam acariciar cada centímetro de pele. Fechei os olhos por um instante, deixando o calor invadir-me. Quando os abri, Clara observava-me com uma expressão que eu nunca vira antes — uma mistura de curiosidade e desejo.

— Sabes, nestas viagens todas, nunca te perguntei o que realmente te excita numa escala — disse ela, a voz baixa ecoando nas paredes de pedra.

Corei, mas o vinho que bebêramos antes da massagem ajudou a soltar a língua. Contei-lhe sobre um antigo namorado que me ensinara a apreciar toques mais ousados, sobre como, desde então, procurava sempre algo que rompesse a rotina. Ela escutava atentamente, os seios subindo e descendo com a respiração ritmada pela água borbulhante.

De repente, um jato mais forte acertou-me entre as pernas. Soltei um gemido involuntário. Clara sorriu e moveu-se ligeiramente, posicionando-se de modo que um dos jatos a atingisse também. Os nossos olhares cruzaram-se e, sem palavras, percebemos que o jogo começara. Estendi o pé devagar até tocar na sua coxa. A pele estava escorregadia, quente. Ela não recuou. Pelo contrário, abriu ligeiramente as pernas, convidando-me a explorar.

Os meus dedos subiram pela sua perna até encontrarem o centro do seu prazer. Clara arqueou as costas, agarrando a borda da banheira. A água agitada escondia os nossos movimentos, mas amplificava cada sensação. Eu, aos vinte e oito anos, sentia-me viva como nunca. Ela retribuiu o toque, deslizando a mão pela minha barriga até alcançar o ponto onde eu mais precisava. Os jatos continuavam a massajar-nos, criando uma sinfonia de vibrações que se misturavam aos nossos dedos.

— Assim… não pares — murmurou ela, os olhos semicerrados.

O vapor tornava o ar denso, quase palpável. Movemo-nos em uníssono, os corpos deslizando um contra o outro na água quente. Os nossos seios roçavam-se de vez em quando, enviando faíscas de eletricidade pela pele. Eu inclinava a cabeça para trás, sentindo o clímax aproximar-se como uma onda que ganhava força no mar alto. Clara acelerou os movimentos, pressionando com precisão o meu botão inchado enquanto eu fazia o mesmo com ela.

O primeiro orgasmo atingiu-me como uma surpresa. As pernas tremeram, os músculos contraíram-se em torno dos seus dedos. Gemi alto, sem me importar se alguém pudesse ouvir do outro lado da parede. Ela seguiu-me pouco depois, o corpo sacudindo-se em espasmos que faziam a água transbordar levemente. Ficámos ali, ofegantes, sorrindo uma para a outra como duas cúmplices de um segredo delicioso.

Mas não terminou ali. Clara levantou-se, a água escorrendo pelo corpo nu, e estendeu-me a mão. Saímos da banheira e fomos para o divã coberto por toalhas grossas. Deitámo-nos lado a lado, as peles ainda quentes e úmidas. Beijámo-nos pela primeira vez — um beijo lento, profundo, com sabor a vinho e desejo reprimido durante tantas viagens. As nossas línguas dançaram enquanto as mãos retomavam o caminho interrompido.

Deitei-a de costas e desci pelo seu corpo, beijando cada curva. Quando cheguei ao monte de Vénus depilado, inspirei o seu aroma misturado com o cheiro mineral da água termal. A minha língua encontrou o seu clitóris sensível e comecei a lambê-lo devagar, em círculos. Clara enfiou os dedos nos meus cabelos, guiando-me. Os seus gemidos enchiam a sala pequena, ecoando como uma melodia erótica.

— Mariana… estás a deixar-me louca — sussurrou, a voz rouca.

Não parei. Introduzi dois dedos nela, sentindo as paredes quentes e contráteis. Ela contorcia-se, os quadris erguendo-se ao encontro da minha boca. O segundo orgasmo foi mais intenso, fazendo-a gritar e apertar as coxas em torno da minha cabeça. Saboreei cada gota do seu prazer, sentindo-me poderosa e desejada.

Quando recuperei o fôlego, ela inverteu as posições. Agora era eu quem estava deitada, as pernas abertas. Clara não perdeu tempo. A sua boca era habilidosa, alternando entre lambidas suaves e sucções firmes. Os dedos entravam e saíam ritmadamente, curvando-se no ponto exato que me fazia ver estrelas. O calor das termas, o vapor, o cansaço da caminhada — tudo se dissolveu numa explosão de sensações.

Gozei pela segunda vez, o corpo inteiro tremendo. Puxei-a para cima e beijámo-nos novamente, misturando os nossos sabores. Ficámos abraçadas no divã durante longos minutos, ouvindo apenas a água correndo nas piscinas adjacentes. O sol já se punha lá fora, tingindo o céu de tons alaranjados que entravam pelas pequenas janelas altas.

Regressámos ao hotel de mãos dadas, silenciosas mas felizes. Durante o resto da viagem, repetimos o ritual sempre que podíamos — num quarto com vista para o Tejo, numa praia isolada da Costa da Caparica, até num táxi discreto a caminho do aeroporto. Cada escala tornava-se uma oportunidade de redescobrir o corpo uma da outra.

Hoje, anos depois, quando viajo sozinha e passo por Lisboa, ainda sinto o cheiro do vapor e o toque fantasma daqueles dedos. Clara seguiu o seu caminho, casou-se, mas o que vivemos permanece como uma das memórias mais quentes da minha vida nómada. As termas de Lisboa guardam o nosso segredo, e eu guardo o calor que elas despertaram em mim.

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